sábado, 27 de fevereiro de 2010

Uma multidão de erros em São Januário


Na saída de São Januário, a fidalga diretoria do Vasco deveria ter colhido nome e endereço de todos os 593 abnegados torcedores que, quatro dias após a perda da Taça Guanabara, deixaram suas casas, enfrentaram a noite chuvosa e pagaram ingresso para ver Dodô, Magno, Robinho e Rodrigo Pimpão. Estes missionários mereciam receber um título de sócio remido e uma rosa.O jogo contra o Sousa não serviu para nada. Ou, melhor, quase nada. Serviu para irritar ainda mais a torcida, já amuada pela derrota para o Botafogo. Serviu também para comprovar os que os torcedores já estão cansados de saber: jogadores como Magno, Robinho e Pimpão, para ficarmos apenas nos mais óbvios, não podem atuar no Vasco. Ao menos não em um Vasco com pretensões de disputar títulos. Se isso é o melhor que o clube pode contratar, melhor não fazer nada. Ao contrário do velho jargão futebolístico, há jogadores que chegam para subtrair.Vágner Mancini deve explicações à torcida vascaína pela insistência com Magno. O jogo contra o Sousa foi o terceiro consecutivo em que Mancini colocou o pobre rapaz em campo com a expectativa de mudar os rumos da partida. Como sempre, nada aconteceu. Magno é uma piada e, como qualquer piada contada seguidas vezes, já perdeu a graça.Magno é o típico “fominha”. Acha que o futebol é feito exclusivamente de dribles. Se ainda soubesse driblar... Em praticamente todas as jogadas, busca a finta e ignora solenemente um companheiro mais bem colocado. Quase sempre, perde a bola. O individualismo é a máscara que alguns jogadores usam para tentar disfarçar suas deficiências técnicas. Magno não passa simplesmente porque não sabe passar. Ainda assim, tornou-se o 12º jogador de Vágner Mancini. Valha-me Deus.É absolutamente natural e previsível que um time entre em campo para uma partida como a de ontem com a motivação de quem vai ao dentista na segunda-feira, às sete da manhã. A primeira partida após a perda de um título é sempre desanimadora, ainda mais contra um adversário frágil. Mas o Vasco exagerou. Exceção feita aos 25 primeiros minutos da fase inicial, por conta de algumas boas jogadas de Philippe Coutinho, o time teve uma noite medíocre. A soma dos sucessivos erros de passe, falta de imaginação e pouquíssimas chances de gol só poderia mesmo dar zero. O Vasco chegou ao terceiro jogo seguido sem marcar um gol.Dodô, Robinho, Magno e Rodrigo Pimpão tiveram uma atuação inclassificável. Dodô foi saudado pelos torcedores com o grito de “pipoqueiro”. Exagero. Pipoca ainda pula; Dodô, nem isso. Fagner conseguiu a proeza de ser substituído por Elder Granja. Marcio Careca, que nem reserva tem, goza de estabilidade no emprego. Estabilidade e emprego que começam a perigar para Vágner Mancini. Ontem, torcedores o chamaram de “burro” e pediram sua saída. Eram menos de 600 vozes, mas que carregavam procuração para falar pelos muitos vascaínos insatisfeitos com o time.Mancini tem um trabalho duro pela frente. Precisará encontrar um time, algo que não fez até o momento, superar a crescente desconfiança da torcida, recuperar alguns jogadores, urgentemente, e se livrar de outros, definitivamente. Há alguns bons nomes em São Januário que vêm sendo prejudicados pela dificuldade de Mancini em montar um time e um esquema capazes de aproveitar o que há de melhor no elenco. É o caso de Rafael Carioca, de Souza, do sobrecarregadíssimo menino Philippe Coutinho e do próprio Carlos Alberto, obrigado a jogar mais do que deve e do que pode. Certo ou errado, justo ou injusto, o futebol segue sua própria contagem de tempo, com o ponteiro das horas apontado para as vitórias e os dos segundos correndo junto às derrotas. Mancini terá a Taça Rio para descobrir um time. Se não conseguir, o Vasco é que terá de descobrir um técnico.Para ler todos os posts do Vasco, clique aqui.

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