quarta-feira, 7 de julho de 2010

Ministério Público pede a prisão temporária do goleiro Bruno

RIO - O coordenador da 1ª Central de Inquéritos do Ministério Público Estadual, promotor Homero das Neves Freitas Filho, pediu as prisões temporárias do goleiro do Flamengo Bruno Souza e de seu funcionário Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, pelo crime de sequestro. Eles são suspeitos do desaparecimento da estudante Eliza Samudio. O MP também pediu a apreensão do adolescente de 17 anos, que afirmou para a polícia que a jovem está morta.

O menor foi detido na casa do jogador por policiais da Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro após uma denúncia que partiu de seus próprios parentes. Segundo o inspetor Guimarães, o depoimento do jovem não incrimina Bruno e joga toda a responsabilidade do homicídio para Luiz Henrique Ferreira, o Macarrão, amigo do goleiro.

O menor contou que estava escondido no carro de Macarrão quando ele pegou Eliza num hotel na Barra da Tijuca para levá-la até o sítio de Bruno, em Minas. Durante o trajeto, a estudante percebeu a presença do jovem e os dois brigaram. Então o adolescente acertou uma coronhada em Eliza, que desmaiou.

Ele também garantiu que não participou da morte da jovem e sabe apenas que Macarrão tentou se livrar do corpo após o crime. O relato explicaria as manchas de sangue no carro de Bruno.

A polícia também investiga a possibilidade de pessoas ligadas ao atleta terem pago R$ 3 mil a um traficante mineiro para sumir com o corpo da jovem. O Corpo de Bombeiros segue fazendo buscas numa lagoa em Ribeirão das Neves, em Minas, onde o bandido teria tentado se livrar do corpo de Eliza. O mesmo denunciante que levou as autoridades ao menor envolvido também disse que o advogado Monclar Eugênio Gama, defensor de Bruno, estaria prestando assistência e instruindo os depoimentos dos envolvidos.

O próximo passo da polícia será chamar Bruno para depor. A intenção é colher o maior número possível de provas e fazer o goleiro cair em contradição, caso ele esteja envolvido no caso.

Eliza Samudio está desaparecida desde o dia 9 de junho e Bruno é o principal suspeito. A jovem tentava provar que o jogador é pai do seu filho de quatro meses, quando desapareceu. No fim do ano passado, ela disse à polícia que o goleiro tentou fazê-la abortar e ameaçou matá-la. Ela fez um exame de urina para comprovar a acusação, mas o resultado divulgado nesta terça foi novamente inconclusivo

Guarda provisória

O pai de Elisa Samudio, Luis Carlos Samudio, conseguiu no fim da noite desta segunda-feira a guarda provisória do seu neto. Bruninho, de apenas quatro meses, estava com a mãe quando ela foi sequestrada. Ao fim das investigações, a tendência é que o avô consiga a guarda definitiva da criança.

Réu confesso, menor não pode ser punido

Cúmplice confesso do sequestro da estudante Eliza Samudio, o primo do goleiro Bruno sairá sem qualquer punição do caso, mesmo que a polícia confirme sua participação no assassinato da ex-modelo. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, menores são inimputáveis, independentemente do crime cometido. O máximo que pode acontecer a ele é a aplicação de medidas sócio-educativas ou uma internação de, no máximo, três anos.

– Os menores não têm imputabilidade penal. Então eles não praticam nem crime. O que eles fazem é um ato infracional, análogo ao crime – afirmou o advogado criminalista José Carlos Tórtima, presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB-RJ. – Na verdade, eles não recebem nem pena e sim uma medida correcional. Em casos extremos, chega a uma internação compulsória e tratamento de acordo com a menoridade dele.

Apesar de concordar que a medida é branda para alguns crimes, Tórtima demonstrou apoio ao Estatuto. Para ele, a redução da maioridade penal não traria benefícios para o combate ao crime no Brasil.

– O Estatuto da Criança e do Adolescente foi uma grande conquista –entende ele. – Vale lembrar que os países de primeiro mundo adotam o mesmo modelo para lidar com menores infratores. Se você baixar a maioridade penal criaria prisões com milhares de menores.

Com informações do repórter Jorge Lourenço, do Jornal do Brasil

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