quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A morte do programa Fome zero


A capa de “Caros Amigos”, jornal mensal de esquerda (Ano XIV, número 160, 2010), nas bancas, tem capa com “Frei Betto: O Brasil é o paraíso do capital especulativo”. Apresentado por décadas como amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, além de frade dominicano, é jornalista, escritor e autor de 52 livros.

Liderança que ajudou na fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e do PT (Partido dos Trabalhadores), foi coordenador do programa “Fome Zero”. Está fora do governo. Frei Betto lamenta que o Fome Zero tenha sido assassinado pelo próprio governo. “E no lugar de um programa que tinha um caráter emancipatório, se introduziu um programa de caráter compensatório que é o Bolsa Família. É bom? É bom. O Fome Zero era ótimo”.

LIÇÕES

Dizendo-se um feliz ING – Indivíduo Não-Governamental -, Frei Betto, que escreve livros e assessora movimentos sociais, diz para "Caros Amigos" que aprendeu no governo duas grandes lições:

1- (...) “Governo é que nem feijão, só funciona na panela de pressão. Só que quem mais pressiona o poder público são as elites através de lobbies muito bem pagos e organizados. Nós, movimentos sociais precisamos fazer a mesma coisa”. (...)

2- O governo não muda ninguém. Faz as pessoas se revelarem. Tem um ditado espanhol que é fantástico: “Se quiseres saber quem é Juanito, dê-lhe um carguito”.

A PRINCIPAL CRÍTICA

Frei Betto, escrevo eu, foi próximo de um líder espiritual da família Lula, nos anos 1988-1984 especialmente, durante o movimento sindical dos metalúrgicos da região do ABC (Santo André, São Caetano, São Bernardo do Campo, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra). Sua principal crítica ao governo Lula, segundo "Caros Amigos":

“Serão oito anos sem nenhuma reforma estrutural, nem agrária, nem a tributária, nem a política, nem a da saúde e da educação”.

ESPECULAÇÃO FINANCEIRA

Na opinião dele, a maior concessão feita pelo governo é econômica, “se a gente considerar que o governo joga através dos títulos da dívida pública quase R$ 300 bilhões para fomentar a especulação no mercado financeiro e apenas R$ 44 bilhões na saúde, um pouco menos na educação”.

Frei Betto complementa, numa entrevista de cinco páginas: “Louva-se, como se fosse um grande mérito, o fato de o capital estrangeiro vir ter esse afluxo para o Brasil, como se isso não tivesse um ônus sério a longo prazo” (...).

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