sábado, 3 de setembro de 2011

Professores resistem e mantêm greve considerada ilegal

Apesar de já terem sido notificados da ilegalidade da greve, os professores da rede estadual de ensino decidiram manter a paralisação e já se articulam para traçar estratégias de continuação do movimento

Professores lotaram o estádio Aécio de Borba para dizer "sim" à continuidade da greve que já dura 28 dias (GABRIEL GONÇALVES )Professores lotaram o estádio Aécio de Borba para dizer "sim" à continuidade da greve que já dura 28 dias (GABRIEL GONÇALVES )

Aos poucos, os docentes que votariam contra a continuação da greve dos professores da rede estadual de ensino foram deixando o Ginásio Aécio de Borba, no fim da tarde de ontem. Muitos deles sequer votaram na assembleia geral da categoria, que decidiu, por maioria quase absoluta, manter a paralisação, mesmo já tendo sido notificada, desde a última quinta-feira, da ilegalidade do movimento.

No início da tarde, a categoria ainda estava indecisa em relação ao encerramento da greve. De um lado, estavam os professores que temiam as penalidades da continuação da paralisação, já que o assessor jurídico do Sindicato dos Professores do Estado do Ceará (Apeoc), Fabiano Lima, alertou para o pagamento de multa de R$ 10 mil por cada dia de descumprimento da decisão judicial e do corte do ponto dos professores faltosos a partir de segunda-feira.


“Eu sou a favor da greve, mas o problema é que ninguém sabe o que vai acontecer. Nós estamos inseguros e receosos do que a Justiça possa fazer”, destacou o professor Daniel Ponciano, que ministra aulas em Fortaleza.


Do lado oposto, estavam os docentes que reforçavam que a paralisação deveria continuar para dar respaldo ao movimento. “Nós vamos resistir. Não podemos baixar as nossas cabeças agora”, gritava o grupo, que era a grande maioria e que mostrava cartazes com os dizeres: “Cid a culpa é sua. A greve continua”.


Para o professor Wadson Antônio, mestre em Educação, que fazia parte do movimento, o impasse permanece pela falta de negociação por parte do governador Cid Gomes (PSB). “Os alunos estão sendo prejudicados, mas os professores também estão com esse salário de miséria”, reclamou o professor, acrescentando que a Apeoc teria se “vendido” ao chefe do Executivo estadual.


A crítica contra o Sindicato surgiu logo após a confirmação do presidente da entidade, Anísio Melo, de que a direção da Apeoc era a favor da suspensão da greve por 30 dias para retomar as negociações com o governador.


Continuação

De acordo com Melo, a assessoria jurídica do Sindicato já recorreu da decisão, ontem, e vai aguardar o posicionamento do Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE) quanto ao caso.

Na segunda-feira, o comando da greve deverá se reunir na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) para definir estratégias de continuação do movimento.


Segundo calendário acertado pelos professores na assembleia geral, a categoria realizará um ato na próxima terça-feira, no feriado de 7 de setembro, em local ainda a ser definido.


Para a próxima sexta-feira, ficou marcada uma nova assembleia geral dos docentes estaduais, desta vez no Ginásio Paulo Sarasate, que definirá os rumos da greve.


O quê

ENTENDA A NOTÍCIA
A greve dos professores da rede pública estadual de ensino já dura 28 dias e as negociações entre a categoria e o governador Cid Gomes (PSB) não avançam. O movimento foi considerado ilegal pela Justiça.

SAIBA MAIS

De acordo com o advogado do Sindicato Apeoc, Fabiano Lima, a decisão judicial do desembargador Emanuel Leite Albuquerque manda que os professores retomem as atividades até 48 horas após a notificação, que ocorreu na última quinta-feira.

Para cada dia de descumprimento da decisão, o Sindicato terá de pagar R$ 10 mil. Os professores que não voltarem às salas de aula no prazo terão seus pontos cortados e em 30 dias podem ser processados por abandono de emprego.

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