sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Vitória polêmica da Beija-Flor de Nilópolis ganha repercussão na imprensa estrangeira



Claudinho e Selmynha Sorriso, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Beija-Flor - Marcel


RIO - A vitória polêmica da Beija-Flor gerou repercussão internacional. Os principais jornais estrangeiros citaram o patrocínio de R$ 10 milhões para levar à Sapucaí o enredo sobre a Guiné Equatorial.
“The Washington Post" citou a reportagem publicada pelo GLOBO, que denunciou o patrocínio da escola. Afirmou ainda que há décadas existe uma relação próxima entre o carnaval carioca e a contravenção. E lembrou o patrocínio polêmico à Vila Isabel, em 2006, do então presidente da Venezuela, Hugo Chaves.
“The Wall Street Journal" comentou também a controversa ligação das escolas de samba com políticos e até traficantes de drogas, “mas a assistência de um ditador africano seria incomum mesmo para os padrões permissivos do Rio."
A rede BBC também deu destaque ao caso envolvendo o patrocínio de Obiang. Segundo a rede inglesa, a Anistia Internacional pediu mais transparência e afirmou que o carnaval carioca não deveria ser patrocinado por um acusado de corrupção e violar direitos humanos. A BBC também lembrou a pontuação quase perfeita da Beija-Flor, que já havia sido campeã outras 12 vezes e era considerada uma das favoritas.
“The Guardian" citou um grande debate nas redes sociais causado pela revelação feita pelo GLOBO. O jornal inglês também falou sobre um estudo deste ano da ONG norte-americana Human Right Watch. Segundo a pesquisa da organização, a Guiné Equatorial é um dos países mais desiguais do mundo, assolado por corrupção, pobreza e repressão. “Os vastos lucros do petróleo financiam vidas luxuosas para a pequena elite envolvendo o presidente, enquanto a maior parte da população continua vivendo na pobreza”, afirma o estudo.
A agência francesa AFP destacou a exuberância e a polêmica envolvendo o desfile. Já o El País afirmou que "o desperdício econômico" do ditador Teodoro Obiang deu frutos no "carnaval mais famoso do mundo". O jornal espanhol informou que a escola já havia sido criticada no passado por exaltar a ditadura brasileira. A reportagem diz, ainda, que uma escola de samba gasta cerca de "1,5 milhão de euros" por ano, mas "a Beija-Flor, em parte graças a patrocinadores como Obiang, tem o dobro do orçamento".




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